Pelo voto nas mulheres que representem as pautas femininas – Candidata Lenina

Por Juliana Rocha

A entrevista, desta vez, é com Lenina, militante feminista e candidata a deputa federal pelo PCB de São Paulo (2100).

Imagem retirada da página social da candidata.

Imagem retirada da página social da candidata.

Imprensa Feminista: Você poderia falar sobre sua trajetória política?

Lenina: A minha militância política tem muita influência da minha mãe e do meu pai. Veja, meu nome é uma homenagem ao Lênin. Lembro de ir junto aos comícios, acampamentos de sem terras, grupo de estudos e reuniões. Começo a atuar junto ao PT com uns 16 anos. Antes participava junto às pastorais e movimentos sociais. Em 2005 criamos o Núcleo de Ação pela Reforma Agrária – NARA – em São José do Rio Preto com o objetivo de articular as lutas do campo com as da cidade, junto ao MST. O NARA continua sendo parte importante da minha militância na atuação na região junto aos acampamentos e assentamentos. Em 2012 saio do PT e entro no PCB partido que me organizo com muito orgulho e que tem aprimorado toda minha formação política. Atuo no Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro em São José do Rio Preto, Catanduva e Araraquara, faço parte também da coordenação nacional. Assumi esse ano a tarefa de ser candidata a deputada federal pelo partidão.

IF: Qual a importância da representatividade da mulher na política e em movimentos sociais?

Lenina: É fundamental que se tenha representatividade. Isso ajuda na identidade, na emancipação, na autonomia. É se reconhecer, é mostrar para as meninas que as mulheres podem estar em qualquer lugar que elas quiserem. Não é um caminho fácil, há todo um sistema opressor que não quer que você consiga, mas com o apoio e a luta das camaradas e companheiros é possível trilhar e mudar esse caminho.

IF: Como é a representatividade da mulher no seu partido?

Lenina: O PCB, bem como outros partidos de esquerda, reconhecem hoje que “sem feminismo, não há socialismo”, ou seja, que não é possível lutar pelo socialismo sem passar pela problemática das questões de gênero, das relações de poder dentro da classe trabalhadora. Não dá para debater depois da revolução. Os sistemas de opressão e exploração formam uma simbiose, atuam em conjunto para nos enfraquecer e se não respondermos conjuntamente não teremos condições mínimas para modificar essa relação. A emancipação humana passa pela emancipação da mulher, do negro, do indígena, dos homossexuais e transexuais, enfim, a classe trabalhadora tem que ser vista também com essas contradições. Ela não é homogênea.

IF: Sabemos que é difícil aprovar projetos sem coligações e apoios políticos. O que você poderá fazer na câmara sendo de um partido com pouca representação?

Lenina: A nossa luta não começa e nem termina com as eleições. Somos o partido mais antigo do Brasil e temos um acúmulo histórico sobre a sociedade brasileira e o modo de produção capitalista como um todo e, principalmente, junto à classe trabalhadora que estamos aos poucos aumentando nossa atuação. Não estaríamos sozinhos no congresso: teríamos toda a classe que produz riqueza para contrapor poder com poder. A campanha tem como proposta central a construção do poder popular, mediante a instituição dos Conselhos Populares, com o objetivo de consolidar mecanismos de democracia direta através do controle, supervisão e administração de todas as áreas públicas vitais, por meio de Conselhos Populares em todo o Estado.

IF:  Você acha que é possível implantar o socialismo no Brasil? De que maneira?

Lenina: Acho que é uma necessidade urgente! O sistema capitalista é cruel, violento, explora e mata para satisfazer uma minoria usurpadora da riqueza produzida pela classe trabalhadora. E essa minoria não se satisfaz, nem entre si. Nessa sociedade não é possível a criatividade, a criação livre, as relações humanas, afetivas, amorosas. Não há solução sob a forma capitalista, a economia mercantil e a sociedade burguesa. Não há saída reformista que dê jeito. O PCB defende que somente a Revolução Socialista, entendida como um forte e poderoso processo de lutas populares que desemboque na construção de uma sociedade alternativa ao capitalismo e à ordem burguesa, será capaz de realmente resolver os problemas vividos pelos trabalhadores e setores populares. É necessário desmercantilizar a vida, trazer para aqueles que produzem a riqueza do país os seus ganhos.

Imagem retirada da página social da candidata.

Imagem retirada da página social da candidata.

IF: Qual a sua posição sobre o direito ao aborto?

Lenina: O PCB luta pela legalização do aborto, pelo direito ao corpo da mulher que não pode ser condenada ou ficar refém do Estado, do marido/namorado e/ou da Igreja na decisão concreta de sua vida. Gravidez não é destino. A legalização do aborto, além de caso de saúde pública, implica diretamente na capacidade emancipatória da mulher que poderá decidir se quer ou não ser mãe. A dificuldade em se debater essa questão é tamanha, mas tenho visto avanços: nessas eleições as candidaturas estão mais abertas na defesa – ou na sua crítica – do que anteriormente que sequer falava do assunto. Isso significa que é um tema que a sociedade está criando mais coragem em debater, o que não é pouca coisa. Infelizmente ainda vai para o lado da opinião (ser a favor ou contra) ao invés dos fatos (os abortos acontecem, mulheres pobres morrem ou são presas) que envolvem diretamente a luta feminista e a luta de classes.

IF: Qual a importância política do feminismo?

Lenina: O feminismo é um movimento social fundamental para a emancipação da mulher e do homem, ou seja, o feminismo é uma luta pela emancipação humana! É importante que isso seja sempre dito, pois devido a forte anticampanha em torno de nossas bandeiras, as distorções são muitas que acabam fazendo que o movimento não seja motivo de orgulho nem para as mulheres – que hoje só sabem ler e escrever, podem votar, falar em público, por conta dele! As relações humanas quando são assimétricas, limitadas pela violência do poder do macho, prejudicam a nossa capacidade concreta de nos relacionarmos. Só há relação humana entre iguais. Um sistema opressor, violento e que objetifica um de seus lados – no caso, a mulher – acaba por ferir e prejudicar toda humanidade que não consegue realizar suas potencialidades, limitadas na relação agressiva com o outro.

Postado originalmente em: http://imprensafeminista.tumblr.com/post/98889249628/pelo-voto-nas-mulheres-que-representem-as-pautas

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