Pelo voto nas mulheres que representem as pautas femininas – Candidata Mery Gatto

Por Juliana Rocha

Na reta final da campanha, conseguimos entrevistar Mery Gatto, ativista política, militante feminista e candidata a deputada estadual (16016) pelo PSTU de Sergipe.

Imagem retirada da internet.

Arquivo pessoal de Mery Gatto

Imprensa Feminista: Quais as dificuldades que você enfrenta no dia a dia da política por ser mulher?

Mery Gatto: A organização que faço parte me dá muito suporte para seguir. É princípio nosso ter um ambiente dentro do partido que não impeça as mulheres de se desenvolverem na elaboração política e na formação, além de impulsiona-las a tomar grandes tarefas políticas e serem a vanguarda na luta contra o machismo dentro e fora da organização. Isso me instrumentaliza a entender todas as faces o machismo imbricou ao setorializar o papel que as mulheres devem ter na sociedade, para assim identifica-lo, combate-lo e elaborar cada vez mais sobre a questão da opressão, em todos os espaços e momentos.

IF: Qual a importância da representatividade da mulher na política?

Mery: Ela é muito importante. Mas não deve ser banalizada. Nosso partido tem um princípio de classe. Que a mulher trabalhadora é a que mais sofre com o desinvestimento e inversão de prioridade nas políticas de educação, saúde, segurança etc. São as que mais sofrem quando os planos de austeridade são implantados, as primeiras a serem demitidas durante períodos de crise, as que ocupam os piores postos de trabalho e funções, tripla jornada; se são negras então, a coisa piora. Por isso, o empoderamento pelo empoderamento não põe a pauta da mulher no centro da prioridade. Não basta ser mulher, tem que ser trabalhadora e conhecer a realidade da maior parte da humanidade oprimida, para obviamente pautar suas necessidades e representa-las e governar para elas.

IF: O que pode ser feito no legislativo para acabar com o feminicídio?

Basicamente, que a Lei Maria da Penha deixe de ser uma mentira. Sua implantação precisa sair do papel e para isto precisa de investimento e que essa briga seja pauta das feministas classistas. E dizer isso não é cair no discurso punitivo e do encarceramento. Porque essa política não deve jamais estar desvinculada de programas educativos, nas escolas, comunidades, mídia, além de que as medidas protetivas precisam assegurar a liberdade e independência da mulher violentada – que é sempre uma potencial vítima fatal da opressão machista. Essas bandeiras, certamente, não vão ser conseguidas com facilidade. Haja vista que, hoje, o orçamento para a pasta é irrisório, chegando a demonstrar o valor que dão os governos a este tema. Somente com muito enfrentamento, mobilização e organização, as mulheres trabalhadoras poderão experienciar que mesmo num governo de uma mulher, os feminicídos não reduzem nas estatísticas. E isso já tem avançado no interior de alguns poucos movimentos feministas classistas, a exemplo do Movimento Mulheres em Luta, que faço construo também.

IF: Qual a sua posição sobre o direito ao aborto?

Mery: Totalmente favorável. Há uma questão superior que implica nessa decisão difícil que é se submeter a este procedimento cirúrgico extremamente arriscado. São as mortes de milhares de mulheres pobres, que são submetidas a condições de vida (cotidianas a maioria da população brasileira) que não as colocam em posição de independência, poder de decidir sobre seu corpo e sobre a gravidez. Pois o direito de interromper uma gravidez já pertence às mulheres ricas, que o fazem nas clínicas particulares e com total segurança e que após isso conseguem seguir suas vidas. Isso não acontece com as mulheres pobres, trabalhadoras, desempregadas, camponesas e negras neste país.

IF: Qual a importância política do feminismo?

Mery Gatto: É de extrema importância. Após a inserção da mulher no mercado de trabalho, com a superexploração de mais uma força de trabalho pelo capital, foi possível perceber que isso não nos trouxe mais direitos e liberdades. E sim, acúmulo de um papel que foi construído historicamente com o patriarcado. Notar a construção desses valores e desconstruí-los através da política não é uma tarefa fácil e cabe àqueles que são explorados na nossa sociedade, que são os trabalhadores e trabalhadoras. É uma tarefa de homens e mulheres. Ganha-los para isto é uma tarefa de organizações da classe e de partidos da classe que estejam verdadeiramente comprometidos com a inversão da base social e econômica que ditam o funcionamento da nossa sociedade. Isso significa aprofundar elementos de igualdade em cada espaço que estivermos, inclusive nas eleições, movimentos sociais, dentro da nossa profissão e família, em defesa da autonomia de mais da metade da humanidade, que somos nós, mulheres.

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