Cadê as candidatas?

Por Juliana Rocha, Stephanie Ribeiro e Vitória Fox

Autor não identificado

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Essa matéria da Folha diz o que já sabemos. As cotas para mulheres nos partidos não são suficiente para tornar o espaço político mais igualitário.

Primeiro que a cota de 30% não é nem ao menos exigida por partido, mas sim por coligação. Assim, partidos como o PSDB, um dos partidos com maior representatividade no país, tentou cumprir a cota com outros três partidos de sua coligação, entre eles duas legendas de grande representação: o DEM e o PPS.

Eles não conseguiram.

O argumento de que muitas mulheres desistiram não é válido. É uma desculpa que não cola, na nossa opinião. Pelo motivo de que muitos homens desistem também e, no entanto, as candidaturas masculinas não são afetadas.

Achamos vergonhoso que um partido sozinho não cumpra a cota de 30% de mulheres, já que somos a maioria da população e a maioria do eleitorado. Mas mesmo assim, pela primeira vez, ultrapassamos o número exigido pelas cotas.

É muita coisa que ainda deve ser feita para que possamos nos candidatar e para que a disputa seja mais justa. A reforma política é uma delas. O partido apoiar mais candidaturas femininas também.

Mulheres têm maior dificuldade de conseguir financiamento para campanha. Um dos motivos é que candidatos à reeleição são os que têm maior facilidade. A maioria dos eleitos é homem, e isso se torna um ciclo vicioso. Outro motivo é que as mulheres são ensinadas a ser menos competitivas, tendo menos sucesso na corrida eleitoral. E assim, caímos no mesmo ciclo vicioso novamente.

É um grande passo o aumento de candidaturas de mulheres, sendo três delas as mais votadas ao cargo de presidente.

Entretanto, quando olhamos qualquer “colinha” do partido, percebemos que é majoritária a presença de homens e brancos, que são os que mais se elegem.

Vimos, também, panfletos pedindo que não votem em mulher, no Maranhão.

E ainda, nessa campanha, vimos machismo, homofobia e até gordofobia de candidatos à presidência. Tanto da ultradireita como os da esquerda.

De um aumento de candidaturas femininas para o resultado final, temos: a bancada mais conservadora no Congresso desde 1964, com Bolsonaro sendo o mais votado pelo Rio de Janeiro, e Russomano eleito por São Paulo (que com sua votação expressiva, elegeu mais sete pessoas, entre elas quatro evangélicos). Feliciano e coronel Telhada também entre os mais votados pelos paulistas. No Rio Grande do Sul, o candidato o recordista de votos foi o deputado federal Luiz Carlos Heinze, escolhido pela ONG inglesa Survival como racista do ano. Entre muitos outros.

Sem contar os votos do Levy Fidelix, que pularam de 57,9 mil votos em 2010 para 446 mil votos em 2014 depois do seu discurso criminoso, odioso e inadmissível.

E o desfecho pode ser com a vitória de Aécio Neves para a presidência. Homem, agressor de mulheres, e representante do partido da higienização social e do neoliberalismo.

Com essa atual composição do Congresso e a ameaça de Aécio na presidência, é difícil falar sobre o destino das mulheres, negrxs, indígenxs, LGBT’s e demais minorias sociais. É difícil expressar em números quantos anos retrocederemos, mas com certeza serão muitos. Uma parcela significativa da população brasileira não está tendo vergonha de assumir sua face conservadora. Pelo contrário: age com sede de vingança, como se o direito de oprimir fosse legítimo.

Resta-nos resistir até o último momento, sem medo de desmascarar suas artimanhas travestidas de discursos vazios. Parafraseando Olga Benario: iluminar, iluminar, essa é a nossa missão.

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