Água e Periferia

Por Iara Maria

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“No Brasil constata-se que, dos 44,8 milhões de domicílios, 3,4 milhões não estão ligados ao sistema público de abastecimento de água, sendo que 76% são famílias que recebem até 5 salários mínimos.”

Por um modelo publico de água – Triunfos Lutas e sonhos

Durante os estudos de Arquitetura e Urbanismo na graduação, buscamos sempre ressaltar a comparticipação homem x natureza. Nós nos atentamos sempre às resultantes desta apropriação espacial e à formação político-social que está impressa em todo este discurso. Analisando a formação das nossas cidades, regiões, paisagens, podemos entender a base fundamental da formação territorial e as relações de poder de classes inclusas nelas.

O dado citado logo no começo reflete bem as nuanças sociais em quais vivemos. É senso-comum que nossas cidades nunca formaram uma urbe do coletivo e da integração social, e que sempre primaram uma cidade especulativa do capital e do individualismo. Com a crise hídrica ocasionada pelo tratamento da água pela interface do interesse do capital, fica clara a uma questão básica : centro x periferia.

“Apesar de abundante, somente uma pequena parte da água doce é própria para consumo humano, além de estar distribuída de forma desigual.”

Orlando Alvez dos Santos Junior

Por um modelo publico de água – Triunfos Lutas e sonhos

Como moradora de Campinas e vendo a situação completamente injusta imposta às periferias (tomando como exemplo Campo Grande recente distrito Campineiro), podemos observar claramente a imposição de um racionamento dissemelhante pelos órgãos gestores da distribuição de água.

“Aqui no Valença 2 estamos sem água novamente desde as 7 da manhã. Aí fica a questão. Lavar roupa de madrugada,  só que de madrugada a gente levanta para trabalhar? Ou trabalhamos ou lavamos roupa? O que faremos? Qual dos dois vamos realizar?”

  1. Simone moradora local

Campo Grande é uma das antigas regiões populosas de Campinas, com 29 bairros. Sua população é composta em sua maioria por trabalhadores formais e informais, e comércios de pequeno e médio porte. Sua localização, porém, é fora dos primeiros limites férreos da cidade. Historicamente e territorialmente já era um bairro segregado.

O que vimos nestes dias, após as eleições do primeiro turno, foi um bairro segregado pela falta de água. Mulheres com pouquíssimos acessos à sua real situação sobre a falta de água. São trabalhadoras, estudantes e administradoras do lar quem nem ao menos tiveram a oportunidade de organizarem seu dia.

“Meu estômago embrulha, por que acordo muito cedo e dormindo pouco.”

  1. Poppi – moradora local

Todo este tratamento desumano é reflexo de uma imposição política que nega o estatuto da cidade. Chega-se a está conclusão quando pensamos se há racionamento nos grandes condomínios fechados, responsáveis por grandes desmatamentos, assoreamentos de rios e mortes de nascentes. Se irá faltar água nas piscinas dos luxuosos bairros da cidade?

 “Descaso total para com a população. Quero ver eles falarem assim com a elite de Campinas!”

  1. Poppi – moradora local

O que podemos concluir com estas reflexões é que o acesso à água está relacionado ao simples exercício da cidadania.

Há uma extrema necessidade de retomar o significado etimológico da palavra CONSCIÊNCIA e deixar de uma vez de lado deixar nossa herança territorial de dominação de lado.

A periferia tem direto!

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2 Respostas para “Água e Periferia

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