Latuff e meu gole de razão

Por Juliana Rocha

Meses atrás escrevi um texto e não mandei imagem para ilustrá-lo. Uma das companheiras do Imprensa Feminista mandou uma imagem do Latuff. Eu disse: “Latuff, não!” Ela perguntou: “Por que?! É feministo?” Eu falei: “Provavelmente, mas não gosto da arte dele, nem dele.”

Sempre me incomodei com feministas ilustrando seus textos com ilustrações de homem, mas principalmente do Latuff. Nunca gostei dele. Antes mesmo de ser feminista (embora eu acredite que toda mulher é feminista, ainda que reproduza machismo), não gostava. E não era por implicância.

Vamos falar da arte do Latuff. Óbvia, pobre, não oferece margem para reflexão, é maniqueísta e nos dita o que pensar. Eu gosto de artes que me dão argumentos sobre o que pensar, e não que digam o que é certo e o que é errado, o que devo amar e o que devo repudiar. Como a Veja do outro lado.

Hoje eu vi uma pichação de um sol, e ao lado estava escrito “sol”. Isso é Latuff. Um cara tão óbvio, que desenha e aponta com plaquinhas o que já dava para entender. E de repente ele não disse nada de novo.

Essa pobreza artística não é ao acaso. Porque quando o artista não diz nada de novo, ele deixa de iluminar o assunto e passa a iluminar a si próprio. Para usar o glamour da posição e ostentar este esquerdismo, para quaisquer que sejam as intenções dele.

E veja: por mais monotemático que ele seja, e desenhe de um jeito que não dá a mínima margem para interpretações dúbias, ele apresenta contradições latentes. Ao mesmo tempo em que protesta contra a falta de voz dos excluídos, ele mesmo nunca deu voz a excluído nenhum. Muito pelo contrário. Vive das mazelas alheias e ainda sai de herói. É o Datena das charges.

Latuff se acha o Banksy, mas Banksy sequer mostra sua imagem e vive chamando outros artistas de rua para expressarem sua arte junto com ele.

Ou ele acha que não há, nos meios em que ele trabalha, gente que tem talento mas falta oportunidade?

Sendo assim, ele só precisava de tempo para se mostrar um feministo, um machista. Depois de algumas charges criticando o machismo como esta:

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Ele quer ser uma voz dentro do feminismo, o que achei muito oportunista. Porque Latuff está aí faz tempo sem se preocupar com temas pertinentes as mulheres.

Mas foi quando apareceu o amiguinho assediador foi que caiu a máscara geral. Em vez de falar com o amiguinho que ele era um machista assediador olha o que ele fez:

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Feminismo “radical”: a idéia de que mulheres não querem ser assediadas.

Latuff, apenas PARE, mas não parou:

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Uma mulher nua, com o rosto aparecendo, sendo penetrada por trás enquanto diz “eu te amo”. O que parece pra você?

E a desculpa de que ele quis dizer outra coisa é a coisa mais esdrúxula que eu já ouvi sobre a obra dele. Porque uma obra do Latuff nunca, NUNCA, nunca poderá dizer mais de uma coisa ou dar margem para qualquer outra interpretação.

E já havia respondido isso pra uma menina egípcia que criticou seu trabalho:

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Disse que vai continuar desenhando o que quiser.

Da obra inteira de Freud, o nosso gênio intelectual conseguiu pinçar a estranha teoria de que mulher tem inveja de pênis.

E

Bem, não há indícios de que o Latuff vai parar, Mas também não vamos parar de apontar machismo e misoginia de esquerdomacho.

Agora vou indo. Tomar meu gole de razão.

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8 Respostas para “Latuff e meu gole de razão

  1. Sim, você está mesmo precisando de um gole de razão. Aliás, de um gole não. Você está precisando de doses, copos, garrafas inteiras de razão…porque, muito embora nem sempre as charges do Latuff caiam no meu gosto pessoal ou reflitam alguma opinião/discurso meu, este pequeno texto sobre ele é uma leitura bastante empobrecida do trabalho do rapaz. Discurso bem parcial e com edição preguiçosa – exatamente os vícios que você apontou na revista supostamente antípoda (Veja) e no cartunista assunto do texto.

    Sem tomar partido de ninguém, que fique claro. É apenas uma constatação crítica. Continuo minha busca por textos embasados e críticas contundentes ao trabalho dele, e lamento por informar que seu texto não me deixa outra opção senão continuar procurando (e claro, ir tentando entender esta rixa de feministas ao cartunista conforme possa)

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    • Oi, Omi!

      1. Acabo de tomar um balde de razão porque já tinha dito que você era mais um machinho
      defensor de machinho quando vi seu comentário no site faces.

      2. Caguei para o que você achou da minha crítica a grande obra do Latuff, que não merecia
      minha crítica nem se fosse pra dizer apenas que é uma bosta. Mas faço crítica do que eu quiser, do jeito que eu quiser.
      Lide com isso.

      3. Se você não entende a “rixa” de feministas com o Latuff você não entendeu nada. Então te dou opção sim, de vazar desse site,
      que não é feito pra machinho cagar regra. Vai escrever seu próprio texto porque esse texto aqui não foi feito pra te explicar nada.

      Bjs

      Curtido por 4 pessoas

  2. Dou uma sugestão pra você, que é procurar uma psiquiatra ( uma, já que voce nao se consultoria com machinho). Feministas estao deixando de deferem mais privilégios para o grupo mais privilegiado que existe no ocidente industrializado para assumirem a sua natureza de movimento de ódio.

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