Só porque eu quero, ué!

Por Aline Alves Joaquim

Encontrado em weheartit.com

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Vivemos na era tecnológica, do acesso fácil e rápido a qualquer tipo de informação. Somos bombardeados a todo momento com noticias de todos os cantos: da área de exatas, humanas, tecnologia, enfim um mundo a nossa disposição, porém informação não implica em conhecimento, informação nos são lançadas normalmente de maneira rasa, o que pode muitas vezes dar a impressão de conhecer, dominar determinado conhecimento, não sendo verdade. Apenas nos aspira a nos aprofundar em determinado assunto.

Essa ilusão de um conhecimento novo e com amplo domínio tem um nome: senso comum. O senso comum é uma arma poderosa para incitação ou contenção de massas, utilizado pela mídia que vem enredada em um joguete de controle com a burguesia. Com tudo tão acessível é usado como embasamento de opiniões, que sofrem alteração de acordo com o mundo da contingência, inferindo como se fosse uma verdade indubitável através de conhecimento raso.

O grande problema mora na não percepção da diferença entre opinião, crença e saber, como já apontou Kant. Todos tem sua importância, mas apenas o saber tem valoração por ser apodítico, demonstrativo, provado. Que desenvolve um método para sua investigação teórica.

A era digital proporcionou essa avalanche de pseudo-intelectuais que mesmo sem dominar uma determinada área, acredita no direito de destilar opiniões embasadas em nada, amparadas por ninguém. O mais curioso é que esse fenômeno se dá, principalmente, na área de humanas como em pautas políticas, conjuntura social, preconceito, etc. O que não acontece com outras áreas, como na engenharia civil. Ninguém questiona os engenheiros sobre suas habilidades em um projeto e construção, dizendo é minha opinião e ponto, pois demanda estudo. Já em ciências sociais, filosofia, psicologia, serviço social que também demandam conhecimento teórico, o critério é outro, evocando a liberdade de expressão para validar.

Análises da sociedade são sempre tratadas como ambíguas, e mesmo não tendo espaço para interpretações dúbias, são entendidas como pressupostos ou subjetividades em casos de leituras um pouco mais extensas. Normalmente ou comumente é sempre culpa de um partido, de um link encontrado em redes sociais.

Ser informado não é classificação de inteligência, nem detenção de conhecimento, o que soaria bem arrogante, pois o caminho de destrinchar uma área é longo e quase sem fim. A informação tem que ser aproveitada para estudar, aprofundar, conhecer, se assim for a  vontade de contribuir com o assunto. No caso contrário suspensão do juízo é recomendada em um campo desconhecido, sempre terá alguém que possa contribuir de maneira contundente, diferente de uma postulação rasa.

Muitas informações lançadas sem responsabilidade, são mais que senso comum, são desonestidade intelectual, que fortemente hoje contribui para a despolitização através  de uma generalização desenfreada. Algumas se estabelecendo e virando crença, não sabendo de onde vem e seu propósito. Muitas contribuindo para a manutenção de preconceitos com raízes em nossa sociedade racista, patriarcal, homofóbica, capacitista, transfóbica.

Conhecer, procurar, estudar, nunca é demais. Melhorar é preciso, que façamos todos!

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