Resumão Feminista – Um santo vizinho‏

Por Juliana Rocha 

Tem duas mulheres no cartaz da promoção do filme, uma delas é gorda. Tem como não amar?

Tem duas mulheres no cartaz da promoção do filme, uma delas é gorda. Tem como não amar?

Nem sei quantos filmes eu já vi sobre uma amizade inusitada entre um velho amargo e uma criança. É sobre isso que o filme se trata. Mas eu achei adorável.

Alguns motivos:

– Bill Murray arrasa. É um velho nojento, amargurado, golpista, aproveitador e no final não é apenas isso. Tem uma trajetória por trás desse velho de que as pessoas não são facetadas. Que todos temos várias histórias que nos transformaram no que somos, que vamos muito além do que aparentamos ou queremos aparentar e que a qualquer momento tudo pode se transfomar.

– Tem uma criança fofa e inteligente.

– Tem Naomi Watts, que se você já leu meu resumão sobre Birdman viu o quanto gosto dela. Ela é uma prostituta grávida, mas empoderada, forte, solidária. Porém pode ser gatilho ver uma prostituda grávida dançando nessas casas de striper ou fazendo programa. A mim causou desconforto. Mas era a realidade da personagem, e acho que não podia ser ignorada.

– E o principal motivo, a razão desse resumão, é a Melissa McCarthy.

Sabe quando tem representatividade gorda no cinema? Não? Nem eu. A não ser que seja para estigmatização e humilhação.

Neste filme, a Melissa é apenas uma mulher e mãe em processo de separação tendo que cuidar do filho sozinha. Magoada por ter sido traída. É uma comédia, gente. Há muito atrito entre a personagem dela e a do Bill murray, porém em nenhum momento o peso, tamanho, gordura dela é usado para ofendê-la ou qualquer coisa.

A personagem do Bill realmente é escrota e tive medo de ter que lidar com isso.

Mas não. Foi uma surpresa tão grande, que elevou o status desse filme a outro patamar para mim.

O papel dela é importante e tem uma cena em que ela é chamada na escola do filho, que é católica, para falar sobre o comportamento dele, e em vez de falar sobre o filho conta todos os problemas que ela está passando para criá-lo. É uma cena solo, é uma cena engraçada e é uma cena sobre a personagem dela, sobre a mulher por trás da mãe daquele menino.

Casem comigo

Casem comigo

A Melissa McCarthy é uma mulher linda, engraçada e a personagem também.

Isso emociona porque mulheres gordas estão no limbo da representatividade.

No final eles formam todos uma família linda, inusitada e bem atual. Porque família é aquela que nos aceita e ainda ajuda a desconstruir nossos preconceitos, não? Se não, seria muito bom que fosse.

Indico fortemente.

Com o selo empodere uma gorda. ❤

Resumão feminista

É uma coluna que pretende apenas fazer uma análise com recorte feminista de algum filme ou mesmo cena de um filme. Conterá spoillers, principalmente sobre tudo que a autora do texto entender como gatilho para outras mulheres. Será uma visão pessoal, que não tem pretensão alguma de ser crítica de cinema e de fazer qualquer análise profunda fora do ponto de vista feminista e/ou opinião pessoal. Pode conter – ou melhor, certamente conterá – misandria.

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