Resumão feminista: Os Pinguins de madagascar

Por Juliana Rocha

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Fomos assistir com meu sobrinho, ele escolheu o filme. Eu não conhecia os Pinguins, exceto por um deles que tem em cima do freezer aqui de casa, que veio de um McLanche feliz. Aí fiquei sabendo que esses pinguins existem de um desenho da TV, agora transformado em filme.

Bem, é 3d, o que para mim é uma grande bosta, já que enxergo apenas de um olho e não consigo ver as três dimensões. Mas para meu sobrinho e outras crianças no cinema deve ter sido demais. Ao final do filme, por exemplo, que uma raposa fala “A CULPA É SUA”, e acho que chega perto da tela, pude escutar uma menininha falando: “A culpa não é minha”. Risos. Foi um momento ternura.

Mas voltemos ao filme. Eu não sou uma pessoa que ama ver filmes infantis. Não só não amo, como não gosto mesmo. Então, quando não tinha uma piada no filme eu morria de tédio. Mas no final é engraçado. Ri bastante. Não me perguntem alguma piada ou passagem engraçada porque não vou lembrar de nenhuma. Apesar da minha dislexia, a parada é mesmo descartável demais.

Agora vamos às problematizações – são muitas.

A história é sobre como os pinguins são lindos, fofos e amados. O vilão é um polvo feio que perdeu espaço para os pinguins nas apresentações do zoológico. O vilão tem um plano, que é tornar todos os pinguins feios, e provar que os pinguins não serão amados quando não forem fofos. E o incrível da história é que é isso mesmo que acontece!

Os pinguins são odiados quando transformados em seres diferente, fora do padrão.É chamada a dedetização para exterminá-los. Ou seja, qual a mensagem? Se você não for bonito e dentro do padrão, você vai se ferrar. Se não for fofinho, será esquecido, chamado de feio – como acontece com o polvo.

E não pára por aí, claro. Quando os pinguins são transformados em “monstros”, um deles tem uma peruca/cabelo black. Sim, tem racismo.

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E tem também gordofobia. Sempre que alguém quer ofender e xingar os pinguins dizem que eles são gorduchos, gordos…

E claro que não ia faltar machismo. A única personagem fêmea, uma coruja, é sexy, fala com uma voz lânguida, e parece que quer seduzir a todo momento. Um pinguim se apaixona por ela. No final, quando os pinguins salvam o mundo daqueles pinguins feios ela agradece dando um beijo no pinguim apaixonado.

O polvo, fora dos padrões, que queria apenas ser aceito e amado se dá mal.

Não podia ser tudo diferente? Os pinguins amados do jeito que ficassem, o polvo aceito pelo sua diferença? Podia. E Há quem diga que somos chatas implicando com filmes de criança. Mas a nossa “implicância” é exatamente por ser um filme de criança. A criança não pode entender aquilo simplesmente como humor ou alguma licença poética. Ela não tem esse tipo de defesa e entende literalmente as coisas como lhe são mostradas.

Depois não sabemos por que as crianças crescem tão desesperadamente insatisfeitas com seus corpos. A insatisfação é a maior arma para o consumo.

Outro dia, tiramos uma foto do meu sobrinho de 8 anos. Criança linda, amorosa. Quando ele viu, tampou a foto e disse que não queria se ver, que estava horrível e magrelo.

E as feministas é que são chatas

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